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Você construiu um produto bonito que ninguém quer. Parabéns.

Nunca foi tão fácil lançar um produto que não resolve nada.

A IA deu superpoderes de execução para founders que ainda não sabem qual problema estão resolvendo, e isso está criando uma geração de empreendedores ocupadíssimos construindo a coisa errada com uma velocidade impressionante.

Tenho acompanhado isso de perto nos bastidores de dezenas de negócios. Se você quer entender como estruturar uma empresa que realmente escala, e não apenas uma que parece escalar, esse é o tipo de conversa que conduzo nos meus Programas Educacionais.

O problema todo é você evitando a parte difícil.

Vou ser direta: construir ficou fácil demais. E isso é um problema.

Quando qualquer pessoa consegue montar um MVP em 48 horas, a vantagem competitiva deixa de ser a velocidade de construção. Ela passa a ser a qualidade do julgamento, e julgamento não se delega para IA.

O que estou vendo no mercado:

  • Founders que passam 80% do tempo no código e 20% falando com clientes. Deveria ser o contrário.
  • Times que usam IA para “analisar o feedback dos usuários” e chamam isso de customer discovery. Não é.
  • Produtos lançados com base em tendência, não em dor real.

Os números confirmam o que os bastidores já mostram:

Segundo dados do CB Insights, 42% das startups falham porque não existe demanda de mercado para o produto, não porque faltou tecnologia, capital ou talento. Faltou o básico: alguém que realmente precisasse daquilo.

E com IA no jogo, esse número tende a piorar. Porque agora dá para construir 10x mais rápido e errar na direção certa com muito mais eficiência.

O algoritmo mudou. Sua estratégia de crescimento também precisa.

Antes de falar sobre como construir um produto que o mercado realmente quer, preciso te mostrar algo que afeta diretamente como você vai distribuir esse produto, porque de nada adianta ter o melhor PMF do mundo se ninguém te encontra.

Distribuição é o novo PMF.

O algoritmo do LinkedIn em 2026 deixou claro o que o mercado também está dizendo: relevância bate volume. Não adianta postar todo dia sobre o seu produto se o conteúdo não resolve uma dor real de quem lê.

É exatamente o mesmo princípio do PMF aplicado à distribuição de conteúdo.

As 3 perguntas que separam quem escala de quem performa no pitch

Depois de investir em mais de 45 empresas e observar de perto o que faz negócios realmente crescerem, reduzi o diagnóstico de PMF a três perguntas que poucos founders conseguem responder com honestidade:

1. Se o seu produto sumisse amanhã, alguém sentiria falta? Não o seu time. Não seus investidores. O cliente. Se a resposta for “provavelmente não”, você tem um produto interessante, não um produto necessário.

2. Quando o modelo de IA que você usa melhora, o seu produto fica melhor junto ou vira commodity? Produtos construídos em torno de uma capacidade pontual do modelo (resumo, tradução, geração simples) já estão sendo engolidos pelo próprio ChatGPT. Produtos como Cursor ou Perplexity ficaram mais fortes com modelos melhores porque construíram em cima de contexto, memória e workflow, não de um truque.

3. Você sabe exatamente como vai distribuir isso ou está esperando o produto se vender sozinho? O CAC payback mediano de SaaS público hoje está em 57 meses (Clouded Judgement, Jamin Ball). Quase cinco anos para recuperar o custo de aquisição. Se a sua estratégia de distribuição é “vamos crescer organicamente”, você não tem estratégia.

O que fazer agora: 4 movimentos práticos

Não vou te deixar só com o diagnóstico. Isso seria um desperdício do seu tempo e do meu.

A conclusão que ninguém quer chegar

A IA não resolveu o problema central do empreendedorismo. Ela só tornou mais barato e rápido cometê-lo.

PMF nunca foi sobre tecnologia. Foi sempre sobre obsessão pelo cliente, julgamento afiado e coragem de questionar o que você mesmo construiu.

O founder que vai vencer nessa era não é o que usa mais IA. É o que usa IA para executar mais rápido aquilo que o julgamento humano identificou como certo.

E julgamento, até hoje, não tem API.

Qual dessas três perguntas você ainda não sabe responder sobre o seu negócio?

#Empreendedorismo #Startups #PMF #InteligênciaArtificial #Negócios #Liderança #CamilaFarani

 

Movimento 1: Volte para o cliente antes de escrever uma linha de código Reserve 5 horas por semana para conversas reais com usuários. Não pesquisa. Não formulário. Conversa. Observe o que eles fazem, não só o que dizem.

Movimento 2: Teste se seu produto é inevitável ou apenas útil Pergunte para 10 clientes atuais: “Se você não pudesse mais usar isso, o que faria?” Se a resposta for “usaria outra ferramenta”, você tem um produto útil. Se a resposta for “meu workflow quebraria”, você tem um produto inevitável. Escale o segundo.

Movimento 3: Mapeie seu ponto de controle, não só sua feature Sua solução entra no workflow do cliente como serviço. Mas o objetivo é se tornar parte estrutural desse workflow, o ponto onde, se você sair, o processo para. Isso é o que cria retenção real e moat sustentável.

Movimento 4: Trate distribuição como produto Canal não é pós-lançamento. É decisão de arquitetura. Defina seu canal principal antes de escalar time comercial. Marca pessoal, comunidades e referrals ainda são os canais com melhor ROI em B2B, porque a confiança ainda mora nos humanos, não nos algoritmos.

Fonte

Camila Farani

Mais influente da América Latina pela Bloomberg | Investidora Shark Tank Brasil | Empreendedora | LinkedIn Top Voice | Investidora
 

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